Loretta Lux

Mal vi as fotos da Loretta Lux, lembrei-me das crianças dos quadros do Mark Ryden e das de Ray Caesar. Loretta é uma pintora alemã (entre as suas influências contam-se Bronzino, van Eyck, Velasquez, Runge e Boecklin) que se tornou fotógrafa. Provavelmente será por isso que quando vemos as fotografias pensamos que são pinturas.
Ela faz retratos de crianças, filhos de amigos cuidadosamente vestidos com um guarda-roupa seleccionado de roupas antigas, incluindo algumas guardadas pela sua mãe do tempo da sua infância (também por aí me dá a impressão de retro, anos 50 talvez). As fotos são produzidas em estúdio sobre fundo branco e são depois manipuladas digitalmente para obter um carácter de porcelana na textura da pele e para distorcer e alterar as expressões. São finalmente combinadas com fundos obtidos de outras fotografias ou pintados pela própria artista e também manipulados no computador.
“They are imaginary portraits dealing with the idea of Childhood. Childhood has been idealised as a lost garden paradise to which we can never return. We are excluded from this world of carelessness, innocence and unity. But the imaginary kingdom is nothing more than a projection of adult ideas and concerns onto the image, an expression of our own yearnings.”
A forma como as fotografias são compostas, surreais, com as crianças de pele de porcelana, a falta de emoções, a seriedade e serenidade, como se fossem pequenos adultos mas ao mesmo tempo frágeis… tornam estas imagens perturbantes…